Mini Histórias

Capítulo 23 - O polvo

Rafael correu para conhecer melhor os tubarões, os grandes predadores dos oceanos.

 

Helena escolheu ficar próxima do tanque das raias, onde estavam fazendo uma oficina de pintura. Carolina queria aprender mais sobre os polvos.


 

— Vem, Andressa, vão mostrar o filme sobre os polvos. Ouvi na internet que a inteligência deles não é deste mundo. Chamou Carolina.

 


— ‘Tá certo, vamos lá. Também fiquei curiosa. Andressa respondeu, alcançando a prima.

 

A princípio, a mais velha não quis participar da excursão ao Aquário Municipal (um zoológico para animais marinhos), porque não gostava de ver animais presos, mas era uma tarefa para a escola, e todos tiveram que ir, inclusive seus primos.
Várias crianças de diferentes escolas e classes tomaram conta de todo o espaço.


 

Enquanto Rafael ouvia sobre as proezas dos vários tipos de tubarões e de como estavam na ponta da cadeia alimentar marinha, Helena queria fazer um desenho perfeito das raias, com sua boca na barriga, sempre sorridentes, enquanto seu formato anatômico de objeto voador singra as águas.


 

— Vem, tem um lugar aqui. Carolina puxou sua prima para sentar ao seu lado.
O monitor começou a explicação, mostrando as imagens.
— O que mais chama a atenção nos polvos é como eles conseguem se camuflar. Ele tem proteínas na pele e estruturas capazes de transformá-lo em segundos.


 

— Assim como o camaleão? Carolina levantou a mão para perguntar.
— Isso, só que bem mais complexo. Eles mudam a cor, mas também o brilho, a transparência e até o formato da pele, que pode ser lisa ou espinhosa, macia ou áspera. E fazem isso num piscar de olhos. Tudo funciona automaticamente, eles têm foto-receptores na pele que ajustam sua aparência para se misturarem ao ambiente e não serem notados.


 

— Nossa! Nunca imaginei isso! Andressa ficou de boca aberta. Logo ela, que sabia tanto sobre os animais, estava sendo surpreendida. — E por que falam que ele é alienígena? De outro mundo?
O monitor riu.


 

— É um modo de dizer. Ele vive na Terra há mais de 290 milhões de anos e teve tempo pra se adaptar a qualquer situação. Cada espécie tem suas táticas. Os venenosos mostram suas cores para assustar os predadores, outros capturam conchas que conseguem usar como escudo ou se enrolam dentro delas.
Mas as duas coisas que mais desafiam e se diferenciam das outras espécies são a edição do próprio RNA, provocando mutações com muita rapidez, e o fato de 1/3 do cérebro ficar em volta da garganta, como uma rosquinha, e 2/3 espalhado pelos oito braços. Explicou o monitor.


 

— Ele sobrevive sem um dos tentáculos? Perguntou Carolina.
— Os dois sobrevivem. Às vezes, eles perdem um tentáculo em alguma luta com predadores, mas conseguem fazer crescer um novo e, como os tentáculos do polvo pensam sozinhos, eles também conseguem sobreviver, separados do corpo. Um tentáculo pode viver até uma hora, tomando decisões, explorando as profundezas, entrando em cavernas e buracos em busca de alimento. Carolina não acreditou.


 

— Ah, eu queria ter esse colorido. Pediu Andressa ao ver as cores amarelas e azuis do pequeno polvo supervenenoso, chamado Polvo dos Anéis Azuis. Que chega a ter o tamanho da palma da mão de um adulto.


 

— Queria o venenoso?
— Pena, é tão lindo! Você acha que o papai me deixa ter um aquário com um polvo, de um tipo bem pequeno, sem ser venenoso? Ela perguntou pra Carolina.
— Acho que ele deixaria, sim, mas você ia querer mesmo? Retirar ele do ambiente dele?


 

— Sei lá, talvez, parece que a vida dele é bem difícil e solitária… Fiquei dividida.