Mini Histórias

Capítulo 19 - Abismo

— Escolhi uma história que todos vão gostar. Disse Carolina, dentro da tenda que tinham montado no jardim.

 

— Vai ser de terror? Perguntou Rafael.

 

— Vai ser da mitologia grega. Perguntou Helena.

 

— Vocês vão descobrir. Vai ser um “Adivinha Onde Estou”, um enigma. Disse Carolina, acendendo a lanterna, porque já tinha anoitecido.

 

— Estamos num lugar muito escuro, dentro de uma cápsula reforçada, porque nesse lugar a pressão esmaga qualquer metal.

 

— Estamos em outro planeta! Gritou Helena.

 

— Estamos numa caverna subterrânea. Arriscou, Rafael.

 

— Shhh. Pediu Andressa. — Deixa ela contar.

— Muitos vulcões ativos soltam colunas de magma. Ela tentou continuar.

 

— Num planeta distante, em outro sistema solar. Tentou, Helena. Andressa só a encarou.

 

— Essa coluna sobe até a superfície e forma ilhas no meio do oceano. O calor desprendido pelo magma da Terra alimenta o fundo, com energia e minerais, onde a luz solar nem pensa em chegar.

 

— Triângulo das Bermudas. Interrompeu Rafael mais uma vez.

 

— Os peixes produzem sua própria luz pela luminiscência e precisamos estar perto deles para enxergar qualquer coisa.

 

Se eles se afastam, não enxergamos absolutamente nada. Nem um fóton de luz chega nesse lugar tão profundo. Um abismo muito mais profundo do que os quase 9.000 metros do Monte Everest.

 

Quem alimenta os peixes é o próprio calor do magma que sobe. As bactérias e micro-organismos são capazes de passear nessas lufadas das fontes hidrotermais, que escapam, por rachaduras, da crosta, e transformam calor e metais em alimento pela quimiosíntese. Transformam minerais, como o metano, em comida. Alimentam pequenos crustáceos, gerando a cadeia alimentar que não precisa do calor do sol.

 

— Que lindo! Em qual planeta é isso? Perguntou Helena. É em Europa, a lua de Júpiter? Lá tem muita água. Carolina balançou a cabeça.

— Aqui é muito, muito gelado. Os animais desafiam a biologia, são transparentes, têm olhos muito grandes ou nem têm olhos e se orientam pelo som. Seu corpo é amorfo, mas extremamente resistente.

 

Têm luz própria.

 

— Adorei! Animais são o máximo. Luminsecência! É aqui no nosso planeta mesmo, Lelê. Andressa riu.

 

— Oceano Pacífico? Arriscou, Rafael.

 

— Isso mesmo, acertaram, mas em que ponto dele? Perguntou Carolina.

 

— Como assim, que ponto? Andressa quis entender melhor. — Perto de qual ilha?

 

— A fossa das Marianas. Um dia quero mergulhar lá! Rafael gritou mais alto porque sabia como essa fossa era profunda e também famosa.

 

— Não. Mas está quente. Carolina cumprimentou.

 

— Eu sei, eu sei, eu sei. É o nome do capitão do livro. Helena atrapalhou os outros.

 

— Pouca informação, Lelê. Andressa reclamou.

 

— É o cemitério espacial. Onde desovam os satélites desativados. Helena falou, triunfante.

 

— Estão cada vez mais perto. Carolina incentivou.

 

— Exploradores, fundo do oceano, submarinos. Muito incrível. Disse Rafael.

 

— Submarinos? Nemo, capitão Nemo do Vinte mil léguas submarinas. Andressa concluiu, com seus olhos brilhando.

 

— Acertou! É o ponto Nemo. Bem entre o Chile e a Nova Zelândia. Está tão longe das margens habitadas que os humanos mais próximos dele estão na Estação Espacial Internacional, que fica cerca de 400 ou 500 km acima dele, no espaço. Fica a mais de 2.500 quilômetros da costa.

 

— Não vale. Eu que adivinhei! Só não lembrei o nome. Helena reclamou.

 

— Na verdade, foi um trabalho em conjunto; um complementou o outro. Rafa também ajudou. Carolina interveio, e ela estava certa.

 

 Todos adoraram o enigma, cada um por um motivo diferente.