Mini Histórias

Capítulo 24 - Computação Quântica

 

Andressa não entendia como o pai de Helena deixava ela colar um monte de pôsteres na parede do quarto. Seu pai não deixaria.

 

Quando ela e Carolina chegaram para uma tarde de brincadeiras na casa do tio Bernardo, pai de Helena, notaram que seu quarto estava forrado de imagens diferentes, com uma estrutura metálica dourada montada em aros, parecendo um troféu de futebol.

 

As meninas conheciam bem a prima para entender que não deveriam perguntar nada sobre aquilo. Pena que Rafael não foi tão esperto.

 

— Prima, o que são esses aros dourados? Ele perguntou, apontando as ilustrações.

 

— Por enquanto, são o futuro. Computador quântico.

 

— Isso nem existe de verdade, né? É só ficção científica. Andressa revirou os olhos.

 

— Claro que existem, todas essas são fotos reais. Helena bufou. — Não são lindos? Como lustres art-déco. Ela repetiu o que sua mãe disse, subindo na cama para explicar melhor.

 

— O cérebro dele fica nessa caixinha dourada, o resto é pra gelar e controlar a caixinha. Primeiro, vêm o cobre, coberto de ouro, o grafeno e essas partes azuis, não sei o que são.

 

— Quantum é uma medida tão minúscula, medida para átomos, essas coisas. Como eles constroem?

 

— Complicado, tem uma sala com luz amarela onde uns equipamentos e computadores fazem tudo no tamanho nano, escala nano, objetos nano, e nano é uma medida microscópica.

 

— São menores do que um fio de cabelo. Andressa falou, sem pensar muito, tentando separar um único fio e ver sua finura.

 

— A largura do cabelo cabe 100.000 nano medidas. Andressa olhou o comprimento, mas Rafael mostrou o que era a largura.

 

— E como eles constroem um negócio gigante desses pra dar conta de coisas tão microscópicas? Perguntou Carolina, cada vez mais curiosa.

 

— Isso eu não sei. Helena respondeu frustrada. — Pai, pode vir aqui?


Enquanto Bernardo não chegava, ela foi contando a parte que sabia:


— Eles conseguem resolver problemas em um tempo infinitamente menor; vão ser usados para desenvolver novas medicações, previsões do tempo super precisas, melhorar o consumo de energia e descobrir coisas sobre o espaço. Essas coisas.

 

Quando seu pai chegou, ela pediu:

 

— Pá, conta pra ela como os computadores quânticos são feitos. Disse, apontando para Carolina que ficou sem graça.

 

— Bem, meninos, vou tentar falar de um jeito simples. É uma ciência em seus primórdios, quase ficção científica. Há vários caminhos diferentes sendo pesquisados. Daqui a pouco tudo isso vai ficar obsoleto.

 

Se vocês usarem um só átomo, precisam criar uma malha ótica para que ele fique mais estável, também trabalham em temperatura próxima ao zero absoluto, o que ajuda a não oscilar. O átomo, elétron e fóton precisam ser meio que domesticados. Disse ele, fazendo o sinal entre aspas.— Daí, eles disparam lasers para obter as respostas que querem.

 

— Nossa! Andressa olhou para o seu fio de cabelo de novo, tentando imaginar o inimaginável.

 

— Também podem usar íons – átomos carregados, quase-partículas, elétrons ou o próprio fóton que forma a luz. Precisam sempre estabilizar e eliminar ruídos. Para isso, utilizam um circuito semicondutor, uma estrutura que isola um único elétron numa área do espaço. Usam campos eletromagnéticos para acioná-los. Com isso, produzem os Cubits, os bits quânticos. Ele tentou explicar.

 

— Parece complicado, mas, aos poucos, a gente vai entendendo. Carolina comemorou.

 

— Não mesmo. E você, Rafa? Perguntou Andressa.

 

— Nem tentei. Muitas contas, muita lógica. Entendi o que a Helena disse. Ele falou, fazendo a menina comemorar internamente.

 

— E como funcionam esses qubits? Carolina perguntou.

 

— Vamos deixar mais para frente, um dia explico. Eles seguem as regras malucas da mecânica quântica, com todas as suas características específicas, como superposição, entrelaçamento, ação à distância e colapso de onda. Esse tipo de coisa. Precisam se manter no estado quântico pra trabalhar adequadamente.

 

— Quem quer brincar de construir um computador quântico? Perguntou Helena. Todos toparam; topariam qualquer coisa para sair daquele nó no cérebro.

 

Bernardo poderia ter se assustado com uma proposta tão arrojada, mas quando viu que as crianças foram atrás de papelão, caixas de mercado e canetas coloridas, sossegou.