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— O que a gente dá de presente de aniversário para a Andressa? Carolina perguntou para Helena, que começou a pensar.
— Difícil, o pai dela nunca vai aceitar ter uma lhama em casa… Disse a menina mais nova, enquanto Carolina ria.
— Por esse raciocínio, eles iam mesmo ter que abrir um zoológico. Carolina soube resumir bem toda a situação.
— Não. Ela quer cuidar dos bichos, mas não quer que eles fiquem presos. E se a gente investigar? Podemos fazer uma agência de detetives só para espioná-la. Helena sugeriu, sabendo que essa era a brincadeira favorita de Carolina.
— Isso. Mas não vamos exagerar. A mais velha considerou.
E assim começou a operação presente de aniversário da Andressa. No fundo, era só uma desculpa para ficar andando com binóculos pela casa, pelo jardim e pela praia. Encontraram um walkie-talkie no fundo de uma gaveta, com pilha estourada. Pediram para a avó limpar e colocar pilhas novas.
Sempre que Andressa não estava por perto para ouvir a conversa, chamava Helena e Rafael e trocavam informações.
— Hoje ela reclamou que precisa de um sapato preto de verniz. Contou Rafael.
— E onde ela ia usar? Às vezes, ela fica princesinha demais. Helena não concordou.
Numa outra vez, foi Helena quem chamou:
— Ouvi ela pedindo pra vovó ensiná-la a fazer crochê.
— Mas a vovó já tem tanta coisa de crochê. Será que ela mesma não vai dar o material?
Carolina, que não gostava muito dessas habilidades manuais do passado, resmungou.
Foi Rafael quem decidiu a questão.
— Já repararam num catálogo que ela carrega para todo lado?
E sim, aparentemente ela estava pesquisando profundamente a vida das abelhas. Andava com esse catálogo grande, todo ilustrado. Os primos se juntaram para investigar esse assunto.
— Deia, podemos olhar esse seu catálogo? Pediu Helena.
— Claro. O melhor são as fotos. Ela mostrou. — Olha a perfeição dos favos, hexagonais, o encaixe é perfeito, traz estabilidade e economia. Disse ela, lendo a legenda.
— E por que só a rainha é rainha? Perguntou Rafael.
— Todas nascem iguais, mas uma delas é escolhida e recebe alimentação especial — geleia real. Depois, só ela consegue colocar os ovinhos das futuras abelhas dentro dos favos.
— Todas as outras, menos a rainha, são operárias? Helena perguntou.
— Sim e não. Depende da idade. Elas começam, sendo faxineiras, limpando a colmeia, depois viram nutrizes, levam alimento aos favos, depois produzem cera, para construir e organizar a colmeia, depois viram seguranças, tomando conta da entrada e, por fim, campeiras, as que procuram fontes de néctar. As imagens eram tão bonitinhas, em tons de dourado. As abelhas zolhudinhas. A menina estava empolgada.
— Ah! Tem tanta coisa incrível. Querem ouvir? Meu sonho era cuidar delas. O mundo precisa muito do seu trabalho de polinização, sem isso nada de frutos, nada de novas plantas. Tudo vira deserto. Os primos se acotovelaram. Não pela revelação importantíssima que ela tinha feito sobre a natureza, mas pela perspectiva de encontrarem o presente perfeito.
— Mas é perigoso ter uma colmeia em casa, não é? Perguntou Carolina, investigando.
— Na verdade, tem várias espécies mansas, sem ferrão. Por exemplo, a jataí. Produz um mel delicioso. E a Mandaçaia, nativa brasileira. Até crianças podem cuidar. Os três sorriram o sorriso da vitória. Já sabiam exatamente o que fazer. Não seria por culpa deles que o mundo ia se esvaziar.
Fariam a sua parte.