
Logo na recepção, Rafael encontrou algo que lhe interessava: uma tabelinha mostrando a evolução das cores das cordas, desde o iniciante até o mestre.
— Olha, eles usam as cores da bandeira do Brasil — apontou ele, chamando a atenção da prima.
— E o mestre usa branco, em vez de preto, como nas artes marciais orientais — completou Helena.
Embora essa ordem de cores pudesse variar de academia para academia, ali estavam sinais de que aprenderiam uma verdadeira arte marcial brasileira/africana. No folheto, apareciam os 11 estágios:
- Aluno iniciante: verde
- Amarelo
- Azul
- Verde-amarelo
- Verde-azul
- Aluno instrutor: amarelo-azul
- Aluno formado: verde-amarelo-azul
- Monitor: branco-verde
- Professor: branco-amarelo
- Contra-mestre: branco-azul
- Mestre: cordão branco
Rafael foi direto para a última linha, deixando claro que seu objetivo era se tornar mestre em capoeira. Helena entendeu que aprenderia mais sobre a cultura dos antepassados de sua mãe e de sua tia. Já a mãe de Rafael ficou orgulhosa, mas também um tanto apreensiva ao apresentar um esporte diferente para o filho, que, por influência do pai, havia se tornado muito competitivo.
A moça havia recebido excelentes referências sobre aquele grupo, que seguia a Capoeira Regional do Mestre Bimba. Estava animada com a ideia de eles experimentarem um esporte mais lúdico e gingado. Afinal, a capoeira é uma filosofia, uma arte marcial que combina dança, música e luta, utilizando força, equilíbrio, ginga e coordenação motora. Seus movimentos — intensos, com chutes e esquivas — incentivam a consciência corporal, pois envolvem todo o corpo. Sua prática desenvolve a coordenação motora das crianças, auxiliando também em outros esportes e atividades físicas. O principal objetivo não é agredir o adversário, mas saber como se defender.
Sua prática desenvolve a coordenação motora das crianças, auxiliando na prática de outros esportes e atividades físicas.
Seu principal objetivo não é o de agredir o adversário, mas sim saber como se defender.
A mãe esperava que ali seu filho não fosse tão cobrado por resultados, e que apenas aproveitasse seu corpo em movimento.
Depois de serem apresentados aos instrutores, monitores e mestres, ela chamou o filho e a sobrinha. Os dois experimentaram os uniformes — abadá e camiseta — e Helena foi a primeira a entrar na sala propriamente dita, onde as crianças já se preparavam para a aula. Ficou encantada com a música e o som do berimbau, caxixi, atabaque, pandeiro e agogô. Tudo aquilo chamava à dança e ao balanço. Olhando os professores, já se imaginava voando, dando estrelas, saltos e acrobacias. Mas nada acontecia de forma imediata: o treinamento obedecia a uma sequência para que todos acompanhassem.
— Obrigada, tia! Sei que vou adorar tudo por aqui — disse Helena, pulando no pescoço da tia e dando-lhe um beijo na bochecha. — Depois vou trazer minha mãe. Quero que ela pratique com os adultos.
A mãe não teve tempo de um último abraço de despedida. Rafael já havia entrado no meio da roda e passava vergonha por acreditar que poderia adivinhar todos os movimentos sem nem ter aprendido nada ainda.
— É isso… — suspirou ela e, virando-se para os professores, completou: — Esse é meu filhinho querido. Boa sorte com ele.
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