
— Por que esse nó de marinheiro é diferente? — perguntou Rafael.
— Se você fizer um nó cego, ele fica firme, mas não consegue desfazer. Se fizer um nó muito simples, ele pode se soltar na hora errada. Com o nó de marinheiro, você tem controle: ele fica firme e também é fácil de soltar quando precisar.
Leonardo, que tinha sido escoteiro por alguns anos, explicava enquanto ajudava os mais novos a montar um forte de tendas, redes e papelão no jardim.
— Quais você vai ensinar a gente a fazer hoje? — perguntou Andressa.
— Vou ensinar dois: o nó em oito e o lais de guia — disse o adolescente, pegando uma das cordas da montagem. — O primeiro tem o formato do número oito. Embora seja muito firme, é fácil de desfazer se precisar soltá-lo rapidamente. Ele consegue suportar bastante peso.
Leonardo começou a mostrar, com duas pontas na mão.
— Estamos prontos, pode ir — anunciou Rafael.
— Estique a corda e pegue uma das pontas. Passe por cima da parte que está esticada, formando um pequeno círculo. Agora, pegue a ponta e passe por dentro desse círculo.
— Vai devagar! Quando a gente erra a ordem, não funciona — reclamou Helena.
Andressa correu para ajudar.
— Agora, o nó lais de guia — continuou Leonardo. — Este é mais complicado, pois é feito em várias etapas. Mas depois que pega o jeito, é difícil esquecer. Coloque a corda em volta do que você está amarrando ou no chão. No meio da corda, faça uma dobra para formar um pequeno círculo. Pegue a ponta e passe por dentro do círculo pela parte de baixo. Agora, a ponta precisa passar em torno da parte reta da corda. Pra terminar, é só pegar a ponta e voltar para dentro do círculo.
— Impossível! — gritou a caçula.
Carolina correu para ajudar Helena, que, de tanta ansiedade, estava prestes a atirar a corda longe.
— Vamos respirar fundo. Paciência! Prestando atenção no passo a passo, você consegue — disse a prima.
— Huff! Olha só quem está falando em ter paciência — reclamou Helena, sabendo que Carolina não era muito melhor do que ela.
Rafael começou a rir, concordando. Entre os primos, o único tranquilo era o próprio Leonardo, que normalmente não perdia tempo cuidando dos menores.
— Mas eu estou fazendo direitinho e com calma hoje… — reclamou Carolina. — Acho que o problema…
— Gente, calma! Vamos nos concentrar em construir nosso superforte, em vez de ficar brigando uns com os outros — chamou Andressa.
Leonardo lembrou de quando aprendeu a fazer o lais de guia, ainda pequeno, nos escoteiros. Os monitores contavam uma historinha, e ele achou que isso poderia ajudar.
— Pega a corda e finge que a ponta dela é uma árvore. Faz um laço — o laço é o lago na frente da árvore. A outra ponta é a cobrinha, que pula no riozinho, dá a volta na árvore e pula de volta no riozinho. Aí, ao mesmo tempo, puxa a árvore pra cima e a cobrinha pra baixo. Quando terminar de esticar, um pra cada lado, está pronto.
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